Pesquisa em Educação
Pesquisas

A Dualidade Escolar no Brasil: Persistências e Mudanças

A pesquisa buscará alcançar os seguintes objetivos gerais:
a) elaborar um quadro geral da formação e das transformações do aparelho escolar no Brasil, que permita o conhecimento de sua segmentação, definida em função dos destinatários, dos papéis desempenhados pelos diversos graus, ramos e ciclos, bem como sua (des)articulação; e

b) contribuir para a discussão teórica no âmbito da Sociologia da Educação, visando a elaboração de conceitos que dêem conta do objeto da pesquisa.

A metodologia histórico-sociológica terá dois fundamentos. O primeiro é o movimento do presente na direção do passado, que Schaff (1977) chama de retrodição , isto é, a "dedução" do passado a partir do conhecimento do presente, mediante os conceitos e as "leis" que "regem" um certo domínio da realidade social. Tal "dedução" será submetida à prova empírica, isto é, ao cotejo com as determinações legais e paralegais, com as estatísticas, com os depoimentos e, quando possível, com o resultado da observação direta. No exame dos dados empíricos, será dada ênfase aos dispositivos que definem destinatários preferenciais aos diversos tipos de ensino, aos incentivos, às interdições e aos condicionantes no acesso e na promoção aos diferentes segmentos definidos explicitamente. Isso significa que o ponto de partida da construção do aparelho escolar será feito com o material fornecido pela própria administração educacional e pelo pensamento pedagógico, mas não permanecerá aí. Ele será reelaborado à luz dos conceitos teóricos já discutidos que, muito provavelmente, serão também reconstruídos em função das exigências da pesquisa.

O segundo fundamento são as teorias sociológicas que têm os aparelhos educacionais seu objeto específico. Nesse sentido, a produção teórica de Pierre Bourdieu, que define os sistemas educacionais como instâncias de violência simbólica, será completada com a de Christian Baudelot e Roger Establet, que definem o aparelho escolar na sociedade capitalista como necessariamente dualista. Os críticos desses autores, bem como a própria elaboração conceitual do pesquisador serão assumidas como propiciadoras de uma elaboração que possa dar conta da formação social brasileira.

Apoio CNPq

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